KPIs e métricas para medir a descarbonização: guia prático para empresas
- Antonio Clark Portinho

- Dec 11, 2025
- 5 min read
Você já deve ter ouvido a frase: "o que não se mede, não se gerencia". Pois é, ela nunca fez tanto sentido quanto agora, quando o tema é emissões de carbono.
Se você é dono ou gestor de empresa, provavelmente já enfrentou — ou em breve enfrentará — pressão de clientes, investidores ou reguladores pedindo para você provar que está reduzindo suas emissões. Não é mais opcional: é necessário mostrar números.
A boa notícia? Com as métricas certas, você não apenas cumpre obrigações, como descobre oportunidades reais de economizar dinheiro e melhorar a eficiência da operação.
Por que medir emissões agora?
Em dezembro de 2024, o Brasil sancionou a Lei nº 15.042, criando o Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões (SBCE).
Na prática, isso significa que organizações que emitem mais de 10 mil toneladas de CO₂ equivalente por ano passarão a ter metas obrigatórias de descarbonização. Se a sua empresa está nesse grupo, começar a medir agora é essencial.
Mas mesmo se você não está na faixa regulada, a demanda já está aí: investidores querem ver dados, clientes grandes exigem compromissos, e o mercado premia quem se move rápido nessa agenda.
O desafio? Sem métricas claras, não há como saber se as ações que você está tomando estão realmente funcionando. É por isso que KPIs (Key Performance Indicators) de descarbonização se tornaram a melhor ferramenta de gestão neste cenário.
O que são KPIs de descarbonização?
Seja para elaborar um plano de emissões do zero ou preparar um relatório ESG, os KPIs de descarbonização são métricas que fornecem a responsabilidade que seus stakeholders querem ver.
Simplificando: são números que você deve monitorar regularmente a fim de entender se está no caminho certo em relação às suas metas sustentáveis.
Esses indicadores seguem o padrão internacional chamado GHG Protocol. Na jornada rumo à descarbonização, você vai ouvir falar bastante em "Escopos", que se dividem em três categorias:
Escopo 1: emissões diretas que sua empresa controla. Veículo da frota? Máquina que queima combustível? Isso é Escopo 1;
Escopo 2: emissões indiretas da eletricidade e energia que você compra;
Escopo 3: tudo que vem da sua cadeia de suprimentos — fornecedores, transporte, clientes usando seus produtos. Parece abstrato, mas é frequentemente onde mora o maior impacto (e às vezes 80 a 90% das emissões totais).

A quantidade crescente de empresas adotando metas científicas comprova que essa agenda saiu do nicho: entre 2023 e 2025, foi verificado um aumento de 227% no número de empresas estabelecendo metas climáticas de curto a longo prazo.
Ou seja, não olhar para esses indicadores não é mais uma opção.
Quais são os principais KPIs que você precisa acompanhar?
Aqui vem a parte prática. A boa notícia é que você não precisa medir esses indicadores tudo de uma vez. Comece pelos que fazem sentido para seu negócio, e então avance.
1. Emissões totais (toneladas de CO₂ equivalente)
É o número mais básico e importante: relata a quantidade de gases que o seu negócio emite por ano, dividido entre Escopos 1, 2 e 3.
Mas por que isso importa para você? Porque ajuda a entender onde está o seu maior desafio.
Por exemplo: se suas operações diretas representam apenas 5% das emissões, investir seu dinheiro em eficiência operacional pode não ser a melhor estratégia. Talvez seja melhor engajar fornecedores.
2. Intensidade de carbono (emissões por receita ou produção)
Esse é um dos mais importantes e interessantes de serem medidos, porque mostra a sua eficiência real. Em vez de apenas olhar para toneladas brutas de CO₂, você divide pelo volume de atividade: quanto você emite por real de receita? Quanto por tonelada produzida?
Veja um caso real: a Suzano (gigante de celulose), aumentou suas emissões absolutas em 6% em um ano, mas conseguiu reduzir a intensidade de carbono em 3%. Como? Sua receita cresceu 19%, ou seja, ela produziu muito mais com menos emissão por real de receita.
Já a Petrobras usa métricas específicas do setor, avaliando fatores como a intensidade no refino (43 kg de CO₂ equivalente por unidade) e a intensidade de metano na produção.
Por que isso é importante: é mais fácil melhorar quando você cresce. Se você está expandindo, mas consegue manter (ou reduzir) sua intensidade de carbono, você está indo bem.
3. Taxa de redução em relação ao ano base
Aqui você compara: ano que vem, quanto eu reduzi comparado ao ano de referência (baseline)?
Neste caso, a dica é: metas científicas tendem a ser mais credíveis com investidores e clientes. Como já mencionamos, 227% das empresas brasileiras já começaram a adotar essas metas recentemente, então a tendência é que se tornem padrão.
4. Energia renovável no seu consumo
Você sabe a porcentagem da sua eletricidade que vem de fontes renováveis? No Brasil, a indústria já alcançou 64,4% de energia renovável. Se você está abaixo disso, pode ser uma oportunidade.
48% das indústrias brasileiras já investem em fontes renováveis. Em 2023, esse número era de 34%. Isso quer dizer que o mercado está se movimentando rápido.
5. Emissões de transporte e logística
Se sua empresa movimenta produtos ou pessoas, esse é um número-chave. Quanto você emite por quilômetro rodado? Por tonelada transportada?
Se você tem frotas próprias, também pode calcular: quantas gramas de CO₂ você emite por quilômetro? Isso ajuda a justificar investimentos em veículos elétricos ou biocombustível.
6. Avaliação de fornecedores (Escopo 3)
Aqui é onde a maioria das emissões mora, e muitos empresários deixam de lado porque parece complicado.

Para começar, faça algumas perguntas práticas:
Quantos dos meus fornecedores diretos eu realmente avaliei em termos de emissões?
Eles têm planos de descarbonização?
Como eu consigo dados de emissões deles?
Comece por aí e então reavalie a questão de fornecedores como um todo.
7. Créditos de carbono para compensação
Com a Lei 15.042, o Brasil agora tem um mercado regulado de carbono. O que significa que você pode comprar créditos para compensar emissões que ainda não conseguiu reduzir.
Mas cuidado: crédito de carbono não é solução mágica. A recomendação internacional é: primeiro você reduz o máximo possível, depois compensa o que sobra.
8. Engajamento dos colaboradores
Descarbonização não acontece só em planilha. Seus funcionários precisam estar envolvidos.
Quantas pessoas da equipe participam de programas de sustentabilidade?
Você oferece treinamentos sobre carbono e eficiência?
Os departamentos têm metas de carbono?
Pesquisas mostram que empresas com colaboradores engajados em sustentabilidade têm resultados melhores (e mais rápidos).
Como escolher quais KPIs você vai usar?
Como já explicamos, você não precisa medir todos esses indicadores de uma só vez. Comece pensando:
Qual é meu maior impacto? Se 80% das suas emissões vêm da cadeia de fornecedores, foque lá. Se vêm da energia, foque em renovável;
Quais dados eu tenho disponível? Não adianta escolher um indicador super sofisticado se você não consegue coletar os dados regularmente;
O que meu cliente/investidor quer saber? Se um cliente grande pedir para você reportar intensidade de carbono, comece por aí.
Ferramentas: como você monitora tudo isso?
Planilha de Excel? Funciona para começar, mas logo deixa de funcionar. Em geral, a melhor solução é investir em uma plataforma dedicada.
O software Net Zero da Descarbonize automatiza a coleta de dados, gera relatórios no padrão que reguladores pedem e deixa você acompanhar em tempo real se está no caminho das metas.
Com uma ferramenta assim você:
Centraliza dados de múltiplas fontes (fábricas, filiais, fornecedores);
Gera relatórios automáticos para investidores;
Identifica pontos de concentração de emissões (e sabe onde focar primeiro);
Mostra progresso contínuo, algo que importa para financiamentos, parcerias e reputação.

Conclusão: meça, analise, atue
Começar pode parecer complicado, mas a realidade é bem mais simples do que parece. Além disso, medir emissões é um investimento que retorna em:
Conformidade com leis e regulações;
Acesso a investimentos e linhas de crédito melhores;
Reputação junto a clientes e parceiros;
Eficiência operacional de verdade;
Redução de custos.
A boa notícia? Você não precisa ser especialista em clima para fazer isso. Já existem ferramentas, metodologias prontas e consultores para ajudar.
Pronto para estruturar seus KPIs de descarbonização?
A Descarbonize ajuda empresas a monitorar emissões com precisão e evoluir com inteligência. Nós cuidamos da tecnologia, você foca no negócio.
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