Due diligence climática de fornecedores: quais dados de emissões reunir para responder aos compradores
Em uma segunda-feira, o time comercial de uma indústria de embalagens recebe a minuta de renovação de um contrato importante. Em anexo, segue uma planilha com 40 perguntas sobre emissões de gases de efeito estufa, metas de redução e origem dos dados, com resposta esperada em 15 dias.
O problema é: as faturas de energia estão com o financeiro; os dados de combustível ficam em outro sistema; e ninguém sabe ao certo quem aprova o que será enviado.
Nesse exemplo, a dificuldade está em reunir e conferir as informações dentro do prazo. Nos contratos B2B, os pedidos variam conforme o comprador, assim como a influência da resposta na negociação.
Quem tem as informações reunidas, porém, responde mais rápido e com menos risco de inconsistência. Este artigo apresenta um checklist de dados de emissões e uma forma de organizar a resposta.
Boa leitura!
O que é due diligence climática de fornecedores?
A due diligence climática de fornecedores é a análise que um comprador realiza das informações climáticas de quem lhe vende, durante a qualificação ou ao longo do contrato.
O objetivo é avaliar o risco associado ao fornecimento, bem como a confiabilidade dos dados apresentados.
Conforme o comprador, essa avaliação pode considerar a existência de um inventário de gases de efeito estufa, a metodologia utilizada, a qualidade das evidências, as metas de redução, entre outros fatores. Alguns até pedem dados de uma unidade ou de um produto específico.
Na prática, esses pedidos ajudam o comprador a elaborar o próprio inventário. O Padrão
Corporativo de Cadeia de Valor do GHG Protocol organiza as emissões de escopo 3 em 15 categorias, incluindo as emissões associadas aos bens e serviços adquiridos. E as emissões de quem fornece também entram nessa conta.
Para entender melhor esse processo e como os dados de emissões podem influenciar as suas negociações, leia o artigo “Carbono como vantagem competitiva nas negociações".
Antes de responder: o que confirmar com o comprador
Antes de reunir os documentos, confirme o que o comprador precisa e como pretende usar as informações.
Cinco pontos podem ajudar a delimitar sua resposta:
Quem solicita e para quê: identifique a área responsável pelo pedido e se os dados serão utilizados na homologação, na renovação do contrato ou no relatório de emissões do comprador;
Período: ano-calendário, ano fiscal ou os últimos 12 meses;
Unidades: verifique se a resposta deve abranger toda a empresa, uma planta específica ou apenas as unidades que atendem ao contrato;
Limites: confira quais empresas do grupo, escopos e categorias devem ser incluídos;
Nível de detalhamento: esclareça se o comprador espera os totais anuais, os resultados por escopo, por unidade ou por produto.
Em seguida, separe três tipos de informação:
O inventário corporativo reúne as emissões da organização no período;
As informações de uma unidade são o recorte de uma planta ou site;
A pegada de um produto mede as emissões associadas a ele, segundo uma metodologia própria.
Importante
O GHG Protocol mantém padrões distintos para o inventário corporativo e para a pegada de produto. Confirme qual deles atende ao pedido antes de enviar os resultados;
Se o comprador solicitar as emissões atribuídas ao fornecimento dele, o cálculo precisa de um método de alocação documentado, com os critérios, os dados e as premissas utilizados;
Se esse método ainda não estiver definido, apresente o inventário corporativo e explique a limitação;
Não divida o total entre os clientes sem um método registrado. Isso resultará em um valor que não resiste a uma conferência.
Checklist dos dados a reunir
A tabela a seguir reúne as informações que costumam sustentar uma resposta consistente. Ajuste a seleção conforme o pedido do seu comprador.

Lembre-se:
Preencha os campos com a situação da empresa. Respostas como “verificação independente não realizada” ou “meta ainda não formalizada” permitem que o comprador avalie o estágio atual do fornecedor. Quando um item não se aplicar, explique o motivo.
Os indicadores de intensidade, como as emissões por tonelada produzida, ajudam a contextualizar seus resultados. As comparações entre empresas também exigem consistência nas metodologias e nos dados utilizados.
Para entender melhor como organizar os responsáveis, as validações e o controle de versões do inventário, consulte nosso artigo sobre governança de dados no inventário do GEE.
Como montar uma pasta de evidências
O comprador pode voltar com perguntas semanas depois. Ter uma pasta de evidências ajuda você a responder sem recomeçar toda a busca.
Sua pasta de evidências deve conter:
Um índice: uma planilha com as perguntas do comprador, as respectivas respostas e os arquivos que as sustentam;
Arquivos de referência: os documentos vinculados às respostas, com nomes padronizados;
Versão enviada: cópia identificada do conjunto de informações compartilhado com o comprador;
Data de atualização: o registro de quando cada documento foi atualizado e do período coberto pelos dados;
Pontos de contato: responsáveis por esclarecer cada grupo de informações;
Aprovação interna: registro de quezm autorizou o envio.
Uma pasta chamada “Resposta_Comprador_A_2026” poderia ter a seguinte organização:

O que fazer quando faltarem informações?
Se uma informação estiver indisponível, descreva a lacuna e apresente uma previsão de coleta ou de atualização.
Quatro cuidados ajudam a organizar essa resposta:
Descreva o que falta: identifique a informação, a unidade ou a categoria afetada e, quando possível, a participação aproximada dela no resultado;
Identifique as estimativas: registre o método e as premissas quando o cálculo utilizar uma extrapolação ou um dado de referência;
Confirme o que o comprador aceita: verifique a possibilidade de enviar uma estimativa documentada, os dados parciais ou uma resposta em duas etapas;
Apresente um plano de coleta: informe o dado que ainda precisa ser obtido, a fonte, o responsável e a data prevista.
Lembre-se:
O comprador precisa ser capaz de distinguir entre dados comprovados, estimativas e informações pendentes. O preenchimento de campos com números sem fundamento compromete a confiabilidade da sua resposta.
Pedido comercial e obrigação legal
Os questionários de qualificação, as políticas de compras e os programas de fornecedores estabelecem requisitos comerciais que variam conforme o comprador. A participação no processo e as condições aceitas em contrato determinam como esses requisitos se aplicam à empresa.
Em geral, as obrigações legais variam conforme o setor, o porte, a jurisdição e a norma aplicável. Para avaliar se a sua empresa está sujeita a uma exigência de relato, é necessário verificar esses critérios.
Na dúvida, leia o pedido com atenção e peça ao jurídico que avalie as cláusulas contratuais e suas consequências. Se o comprador citar uma norma específica, confira o texto e o âmbito de aplicação antes de elaborar a resposta.
Como a Descarbonize pode ajudar

A Descarbonize oferece uma solução para a gestão de emissões ao longo de toda a sua cadeia de fornecedores.
Nossa plataforma:
Facilita o acesso dos fornecedores ao software;
Permite definir diferentes níveis de acesso e visualização;
Centraliza os dados inseridos em tempo real.
A Descarbonize também apoia a estruturação do seu inventário de GEE, com a centralização das informações e a rastreabilidade dos dados da coleta ao reporte.
Reúna os dados antes do pedido chegar
Um inventário organizado, acompanhado das evidências e dos responsáveis pelas informações, reduz o tempo necessário para responder aos compradores. Essa preparação também facilita a conferência dos números e a atualização das respostas a cada novo pedido.
Gerencie sua cadeia de fornecedores para reduzir as emissões de Escopo 3: agende uma demonstração.


